Como a designer gráfica Loise Fili cria logos atemporais.

“Eu penso no logo como um retrato tipográfico”, ela diz.
3064546-inline-i-1-lflportrait[Photo: Henry Leutwyler]
Aos domingos a designer Loiuse Fili gosta de se aventurar em seu escritório em Manhattan , tirar seus diários visuais – álbuns de marcas de pergume, embrulhos de laranja, fotos de cartazes de rua que ela cria há decadas – e mergulha no mundo vintage da comunicação visual europeia “É importante para mim mergulhar nestes álbuns de vez em quando porque assim eu me transporto para  Itália”, ela diz. Fili, que abriu seu estúdio em 1989 depois de trabalhar como diretora de arte na Pantheon Books por mais de 10 anos, tem um estilo evidentemente baseado no design gráfico italiano do século 20. Seus logos evocativos, marcas,  capas de livro e embalagens projetam sofisticação e intemporalidade graças a tipografia ornamental. Na era da Helvetica, Fili mostra que há muito espaço para a serifa – e empresas como a Good Housekeeping, Paperless Post e Tiffany & Co. já solicitaram seus conhecimentos em logos. Agora a SVA está homenageando a carreira de Fili coo Masters Award – que premia os maiores comunicadores visuais dos últimos tempos – e com uma exposição em cartaz do dia 14 de outubro até 10 de dezembro na Gramercy Gallery.
3064546-inline-s-3b-louise-fili-logo-design
“Eu sei que seria muito mais fácil deixar [os logos] em Helvetica, mas para mim é muito importante que eles sejam muito pessoais e meu estilo é muito pessoal. E eu não conseguiria me imaginar fazendo isso de outro jeito”, ela diz. “Você não pode apenas colocar uma palavra em um tipo e chamar isso de logo. Eu penso no logo como um retrato tipográfico.”
Fili trabalha com a intuição. Depois de conversar com os clientes sobre o que eles querem tirar de um novo logo ou identidade visual e fazer uma estratégia conceitual, ela costuma pegar um pedaço de papel e uma caneta de caligrafia e começa a escrever o nome da empresa repetidas vezes.
3064546-inline-s-6-louise-fili-logo-design
“Isso remete aos meus dias de capas de livros quando eu costumava sentar com uma prancheta, escrever o título do livro e deixar ele falar comigo”, ela diz. “Isso pode ir desde um tipo muito disforme até algo mais preciso. Então eu percebi que há tipos que não existiam e que eu precisava criar. Foi isso que me preparou de verdade para o design de logos. Eu escrevo várias vezes até ver onde as formas das letras me levam.”
3064546-inline-s-4b-louise-fili-logo-design
Um dos projetos mais recentes foi o redesign do selo de qualidade da Good Housekeeping. “Uma coisa que eu percebi ao fazer essas transformações é que você consegue mudar muito contanto que mantenha um ou dois elementos principais do logo”, ela diz. “Neste caso foi bem simples: você mantém o formato oval e a estrela e todo o resto pode ser alterado”.
A empresa mudou seu logo com o passar das décadas e Fili sentiu que ele tinha se desviado da sua ideia original de 1909. A versão que ela repaginou é a dos anos 90 que tinha um tipo em destaque, uma forma oval, um esboço em degradê e letras em negrito e itálico. Fili trouxe o tipo de volta para a forma oval, simplificou a fonte e colocou contra um fundo escuro. “Eu queria que parecesse atemporal”, diz ela.
Quando a revista apresentou o novo design no programa Today os apresentadores confundiram o design de Fili com o antigo logo. “Eu considerei como um elogio porque eu queria que ele parecesse que sempre esteve lá”, diz Fili.
A Paperless Post foi outra recente parceria bem sucedida. Quando os donos da empresa procuraram Fili para uma repaginada o problema estava no logo que era indecifrável e não funcionava em formatos pequenos, como no caso da internet. “O logo original era interessante porque não importa como você olhava para a imagem, você conseguiria dizer o que era”, diz Fili. Depois de apresentar as ideias de tipos para os donos da empresa, Fili criou uma tipografia que misturou com uma ilustração de uma pássaro e um envelope da Paperless Post em um conjunto só.
Embora seus logos conversem com a identidade de seus clientes, no geral eles também retratam uma perspectiva a criatividade de Fili “Eu quero que os logos pareçam que foram criados pelo mesmo designer sem parecerem entediantes”, ela diz.
Recentemente Fili juntou o amor dela por tipografia, monogramas e logos em uma série de livros de cartazes de rua europeu, cartões e lápis para a Princeton Archetetural Press.
“Cada designer precisa ter seus próprios projetos porque é a única forma de crescer e encontrar sua própria voz no design”, diz Fili. “Não é sempre a coisa mais rentável a se fazer mas é a mais importante para a alma do designer. Sou sortuda em ter um pequeno estúdio onde eu possa me focar nas coisas pelas quais sou apaixonada, que é tudo relacionado a comida, tipos e a Itália… Eu faço tudo por amor e não por dinheiro”.
Tradução: Regiane Ap. de Sousa
Font: Fastcodesign

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.